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A.Cristina Vaz

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Feng Shui e as raízes: a área da Família e dos Antepassados

5 de jul.
3 min de leitura

Quase todas as casas guardam uma caixa que ninguém abre. Fotografias antigas, cartas, um relógio que era de alguém, coisas que já não usamos mas que não conseguimos deixar partir. A casa guarda a memória daquilo que vivemos — e também daquilo que ainda não fizemos as pazes de viver.

No mapa Baguá, há uma área que fala precisamente disto: a Família e os Antepassados. As raízes, o passado, aquilo que herdámos — nos objectos, nos gestos e nas histórias.

O que é a área da Família e dos Antepassados

No Baguá da Escola do Chapéu Preto, que aplico sempre a partir da entrada principal, esta é a terceira das nove áreas — podes conhecer o mapa completo neste guia. Fala da família de origem, dos antepassados, do passado e da forma como o que veio antes de nós continua a viver em nós: como força, como herança, ou como peso.

É também a área dos novos começos que nascem de raízes firmes. Uma árvore não cresce contra as raízes — cresce a partir delas.

Onde fica esta área na tua casa

De pé, à porta de entrada, a olhar para dentro: a Família e os Antepassados encontram-se ao centro, do lado esquerdo da casa. Muitas vezes coincide com uma sala, um quarto, um corredor — ou com essa divisão onde as caixas do passado se foram acumulando.

O que esta área pode revelar

Ao longo das consultorias, reparo que esta zona conta histórias de lealdade: móveis herdados que nunca escolhemos, fotografias que ficaram por emoldurar, objectos de quem já partiu e que não sabemos onde pertencem. Nada disto é errado. Mas quando o passado ocupa mais espaço do que o presente, a vida sente.

Sinais de que esta área pede atenção

  • acumulam-se ali objectos herdados que nunca escolheste — e que talvez nem gostes de ter;

  • há memórias por resolver guardadas em caixas fechadas há anos;

  • a zona está escura, pesada ou parada;

  • na vida, há tensões familiares antigas, dificuldade em perdoar, ou a sensação de carregar histórias que não são tuas.

Como cuidar desta área

Sem receitas universais — cada casa e cada história pedem o seu tempo. Mas estes gestos costumam trazer paz a esta zona:

  • Escolher o que fica. Honrar os antepassados não é guardar tudo. É escolher, com presença, aquilo que conta a história que queres continuar.

  • Dar lugar digno à memória. Uma fotografia emoldurada com carinho diz mais do que dez caixas fechadas na arrecadação.

  • Convidar o elemento Madeira. Esta área agradece crescimento: plantas vivas e saudáveis, madeira natural, verdes, formas verticais que lembram que as raízes existem para sustentar o que sobe.

  • Reparar o que está partido. Objectos de família danificados e nunca reparados falam, simbolicamente, de feridas por cuidar. Reparar — ou libertar — é um acto de cura.

  • Criar um pequeno gesto de gratidão. Uma flor fresca junto a uma memória querida. Não é altar, não é superstição: é presença.

Uma pergunta para levares contigo

Olha para os objectos que herdaste e que vivem contigo: quais te dão força — e quais te pedem, em silêncio, para seres tu a decidir o que fica?

Podes continuar a série pela área dos Relacionamentos. E se sentires que a tua casa guarda mais passado do que presente, as minhas consultorias de Feng Shui — em Sintra, Lisboa ou online — estão em www.acristinavaz.com.

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