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A.Cristina Vaz

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O Mapa Baguá: as 9 áreas da casa e o que revelam da tua vida

5 de jul.
4 min de leitura

Há casas que não precisam de mais objectos. Precisam de mais alma. E há uma forma antiga, paciente, de escutar o que a casa anda a tentar dizer — chama-se Baguá.

Sempre que entro numa casa pela primeira vez, não começo pelos móveis. Começo pela porta. Pela forma como a entrada acolhe — ou não. Pelo que se acumula no primeiro canto, pela luz que chega ou falta. Porque a casa não é cenário. A casa é linguagem. E o Baguá é o mapa que me ajuda a lê-la.

O que é, afinal, o Baguá

O Baguá é um mapa energético que dividimos sobre a planta da casa em nove áreas. Cada uma dessas áreas corresponde a um tema da vida: o trabalho, as relações, a família, a prosperidade, a saúde, a criatividade, a espiritualidade, o reconhecimento e o caminho que estamos a percorrer.

Na escola com que trabalho — a Escola do Chapéu Preto, também conhecida como BTB — o Baguá não se orienta pelos pontos cardeais nem por bússola. Orienta-se a partir da entrada principal da casa. É a porta por onde entramos todos os dias que define como o mapa assenta sobre o espaço. Faz sentido: é por ali que a energia, e nós, entramos na nossa própria vida.

A casa mostra, muitas vezes, aquilo que a alma ainda não conseguiu dizer em voz alta.

As nove áreas — e o que cada uma guarda

Imagina a planta da tua casa dividida numa grelha de nove partes, como um tabuleiro. Encostas a linha de baixo à parede onde está a porta de entrada. A partir daí, cada zona ganha um significado.

1 — Caminho de Vida

Fica alinhada com a entrada. Fala do rumo, do fluxo, daquilo que estamos a viver agora e de como avançamos. Uma entrada carregada, escura ou cheia de tralha costuma refletir uma vida em que também nos sentimos sem espaço para respirar ou decidir.

2 — Relacionamentos

O canto mais afastado à direita, a partir da entrada. Diz respeito ao amor, à parceria, à forma como nos deixamos acompanhar. Costumo pedir que se olhe para esta zona a pares: dois candeeiros, duas almofadas, imagens que não falem de solidão.

3 — Família e Antepassados

O lado esquerdo, ao centro. A raiz, o passado, aquilo que herdámos — o que nos sustenta e também o que às vezes pesa. É a área da madeira que cresce, da história que nos precede.

4 — Bênçãos e Prosperidade

O canto mais afastado à esquerda. A abundância, e não só a financeira: a gratidão, a sensação de que a vida nos dá. Uma zona esquecida ou desarrumada aqui convida, muitas vezes, a olhar para onde deixámos de reconhecer o que já temos.

5 — Saúde e Centro

O coração da casa. Sustenta todas as outras áreas, como o eixo sustenta uma roda. Gosto que este centro esteja o mais livre e limpo possível — é a partir do equilíbrio do meio que tudo o resto encontra chão.

6 — Trabalho, Carreira e Pai

A zona da frente, do lado direito da entrada. As finanças, o percurso profissional, a figura paterna. Muitas vezes ligada à água — ao fluxo daquilo que entra e sai da nossa vida.

7 — Filhos, Futuro e Criatividade

O lado direito, ao centro. O que está a nascer, os projectos, a alegria, aquilo que ainda não tem forma. A área do metal, da clareza, do que pedimos ao amanhã.

8 — Espiritualidade e Sabedoria

O canto da frente, do lado esquerdo da entrada. O silêncio, a meditação, o autoconhecimento, a pausa. Um bom lugar para um canto de leitura, uma vela, um sítio onde a casa nos convide para dentro.

9 — Sucesso e Reconhecimento

A zona da frente, ao centro, oposta à entrada. A visibilidade, a reputação, a forma como somos vistos no mundo. A área do fogo — da luz que deixamos acesa.

Como usar o Baguá em casa, sem fórmulas

O Baguá não é uma receita. Não há um objecto mágico que sirva a todas as casas, porque cada casa precisa de ser sentida no seu contexto. Mas há um gesto simples por onde começar:

  1. Desenha a planta da tua casa, mesmo à mão, e marca a parede da entrada principal.

  2. Divide o desenho em nove partes iguais e assenta a linha de baixo na entrada.

  3. Repara em que divisões caem em cada área — e, sobretudo, no que sentes ao percorrê-las.

  4. Escolhe uma área que te chame. Só uma. Aquela onde a vida anda a pedir cuidado.

Depois, olha para essa zona como quem olha para dentro. Está escura? Acumulada? Fria? Esquecida? Às vezes não é desarrumação. Às vezes é vida acumulada — e o gesto de destralhar, abrir uma janela, acender uma luz ou trazer uma planta viva é já uma forma de devolver movimento a um tema que estava parado.

O Feng Shui começa muito antes de mudarmos um móvel. Começa no momento em que aceitamos olhar para a casa como quem olha para dentro.

Quando a casa pede um olhar mais próximo

Há coisas que podemos começar sozinhos. E há um ponto em que a casa pede uma leitura mais fina — a análise das falhas e extensões da planta, o fluxo do Chi entre as divisões, o equilíbrio dos cinco elementos, o cruzamento com a energia de quem lá vive. É esse o trabalho que faço nas consultorias de Feng Shui com Alma, presenciais em Sintra ou online, para todo o país.

Se, ao ler isto, houve uma área da tua casa que te veio à memória — talvez seja por aí que a tua casa te anda a pedir para começar. Podes conhecer melhor o meu trabalho e as marcações em www.acristinavaz.com.

 
 
 

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